terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Lei da Palmada

Como a Lei da Palmada está novamente em discussão, achei válido repetir este texto que escrevi para a Coluna Vida Pessoal na época. Confiram e Reflitam!!!

Dia 13 de julho de 2010, saiu uma reportagem no jornal O Estado de São Paulo sobre um projeto de lei que proíbe a prática do castigo físico à crianças e adolescentes. Já ouvi muitos pais e avós, hoje, dizerem que sempre apanharam ou bateram e não perceberam nenhuma conseqüência ruim em si mesmos ou em seus filhos. Outros ainda, quando vêem uma criança fazendo uma birra dizem: “É falta de um “corretivo”. No meu tempo com dois tapas esta birra acabava.”

Não acho que exista uma fórmula mágica para uma educação perfeita, até mesmo porque o que é perfeito para mim pode não ser para você. Educar é uma tarefa que exige muita paciência, persistência e amor. As justificativas das pessoas que agridem crianças são muitas, mas eu não acho que a violência seja uma solução para qualquer tipo de problema, principalmente entre pais e filhos.

A conseqüência da violência física é a aquisição do respeito pelo medo. Quem impõe medo é uma pessoa com poucos recursos intelectuais que não sabe como agir frente a uma situação que fuja ao seu controle. Medo sentimos de um leão, ele sim não conhece outra maneira de comunicar sua insatisfação, a não ser pelo impulso de atacar.

Nós, adultos, pais, precisamos ser mais criativos e não responder à uma criança de 3 anos como se tivemos 3 anos. Pensem antes de fazer ou falar alguma coisa, pois não será possível voltar no tempo, o que está feito, está feito.

Quando trabalhava no Projeto Arrastão, fazia um trabalho com os pais das crianças que freqüentavam a instituição, resgatando a infância deles para fazê-los pensar um pouco na maneira como estavam educando seus filhos. Após alguns encontros, um pai que estava sempre presente, calado, mas observando e ouvindo tudo, veio ao meu encontro e disse: “Sabe doutora, eu agora chego em casa e consigo pensar antes de dar uma palmada no meu filho. Eu olho, penso e vejo uma criança que não conseguiria se defender, acho que eu era muito covarde.”

Agressão não traz nenhum benefício à vida de ninguém, amem muito seus filhos, pois, mesmo nos momentos de raiva o amor deve ser maior.

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